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Você conhece alguém que está sofrendo por uma perda?

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Por Andreia Chagas (psicóloga clinica)

Sabe, quando estamos perto de uma pessoa querida que sofreu uma perda, às vezes ficamos com medo de provocar mais dor e sofrimento, ficamos cheios de dúvidas e sem saber que caminho escolher. Mas é importante saber que sua presença é importante. Estar junto de uma pessoa enlutada, sem cobranças e sem expectativas pode ser muito valioso.

Se você quer ajudar, forneça uma lista escrita das coisas que pode fazer e os horários disponíveis. Lembre-se que há coisa simples que são difíceis de realizar quando se está muito abalado, como transporte, compras, cozinhar, limpeza e outras atividades rotineiras. Lembre-se de se colocar a disposição para cuidar de coisas práticas que ficam esquecidas.

Se você é próximo o suficiente, ofereça-se para ficar com as crianças, conversar e brincar com elas. Ter um adulto conhecido e calmo junto delas já é uma grande contribuição e pode ser um descanso para os pais enlutados.

Não evite falar do falecido e não tente evitar que as pessoas enlutadas falem dele(a). Seja um bom ouvinte, sem forçar a conversa; apenas deixe que saibam que você vai ouvir. Em caso de dúvida, pergunte. Tolere as variações de humor e até algumas crises de raiva. Não são contra você. O luto também significa sentir raiva pela perda sofrida.

Lembre-se que certas datas são marcantes e especialmente sofridas: aniversário de nascimento, de morte, de casamento, feriados e dias festivos. Mantenha o contato nessas datas: um telefonema para dizer que você também se lembrou pode ser acolhedor.

Luto é um processo que leva mais tempo do que em geral supomos. Você pode observar períodos melhores e piores, mudanças nas pessoas enlutadas, uma aparente regressão “quando tudo ia tão bem”. Não espere um processo contínuo e linear, as oscilações vão ocorrer.

O luto é uma reconstrução. A pessoa enlutada não vai “voltar a ser o que era”. Ela estará construindo uma nova identidade, novas crenças, novos sonhos. O luto é o caminho para uma nova etapa de vida.

Espero ter contribuído com você estar preparado para ajudar àqueles que virem a sofrer uma perda. Adorei conversar com você sobre este assunto! A essa altura tenho duas perguntas para que possamos continuar conversando:

1ª Você tem alguma dúvida sobre o assunto?

É um tema difícil, e não raramente, ficamos cheios de dúvidas. Se esse for o seu caso, se você tiver uma pergunta específica, me deixe saber, vai ser um prazer te ajudar.

 

2ª Você gostou do tema da nossa conversa? Ajudou você em algo?

Eu pergunto isso porque gosto de criar um conteúdo prático, fácil e útil para ser aplicado no dia a dia, e que faça a diferença na vida das pessoas. Para isso eu preciso de sua ajuda, se puder, responda esse e-mail com a sua opinião sobre o tema, e sugestões de temas futuros.

 

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A morte que não mata mas mutila

Viviane Lima (vivifacts)

Sempre achei que ligações familiares no meio da noite fossem um mal sinal. Lamentavelmente eu estou certa, engraçado meu TCC ter sido sobre morte.

Acabo de receber uma notícia ruim, meu tio, irmão de minha mãe faleceu. Sentiu uma dor no peito, foi para o hospital e bateu as botas. Cantou pra subir, morreu.

Parece frio, mas depois de ver minha mãe cair em lágrimas, o que verdadeiramente me mata, me sinto anestesiada.

Veja bem, tive pouquíssimo contato com esse tio, ele morava no Ceará, mas faltava apenas um mês para vê-lo com minha mãe, afinal de contas é pra lá que vamos nas férias de julho.

É a terceira vez que vejo minha mãe se despedaçar, a mais velha de cinco irmãos. Perdeu a mãe atropelada, um ano depois minha tia sofreu um acidente e agora meu tio se vai. E ela tem aquela terrível sensação de que a família está acabando.

Deve doer, mas no meu avô que foi marido e é pai a dor deve ser ainda mais latejante. Minha mãe disse: “isso não é natural”. Fui obrigada a discordar.

A morte faz parte da vida, é algo natural embora não seja corriqueira.

Texto original

Como dizer adeus?

despedida

Na terça-feira (19/03) morreu o pai de uma pessoa muito querida pra mim, Adriano Lellis, com apenas 43 anos ele não resistiu à espera de um transplante de coração. Um dia antes estava combinando com uma de suas filhas de sairmos para jantar, ela bastante esperançosa e eu feliz por conseguir dois doadores com o mesmo tipo sanguíneo. Porém, na manhã seguinte veio a mensagem de seu falecimento.

Confesso que fiquei sem chão naquele momento, senti um aperto sem fim no meu coração imaginando como estaria sendo doloroso para ela essa perda, e o que eu senti tenho certeza que não passou nem perto do que ela possa estar sentindo. Eu não sei o que dizer nessas horas, acho que nada é capaz de sanar a dor. Todos vamos morrer um dia, mas será que estamos preparados para esse momento? Estamos preparados pra dizer adeus para quem amamos mesmo sabendo que ele está sofrendo?

Confesso que no mesmo dia em que tive a triste notícia, dei um abraço apertado no meu pai e dormi com ele na cama abraçada, “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque na verdade não há”. O que parece uma simples música de efeito, toma o mais literal sentido diante da possibilidade perdermos aquele que amamos.

A família desejo meus sinceros sentimentos, a minha querida, realmente queria poder dizer algo que alguém não tivesse dito, mas só posso dizer que estou aqui, para o que você precisar.

Viviane Lima

Até breve vovô

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Ontem, dia 14 de janeiro, faleceu a pessoa que fez de mim, muito do que sou hoje. O último ano foi muito difícil, desde a descoberta do câncer, que àquela altura já havia se espalhado, diversas sessões de quimioterapia, radioterapia, a queda de cabelo, e de um bigode que foi cultivado com tanto cuidado por tantos e tantos anos (desde sempre, talvez).

É engraçado, como nos agarramos a fiapos de esperança, a farrapos de vida, na esperança de que algo, alguém, uma força superior, possa mudar o rumo dos acontecimentos. Mas nem sempre o(s) Deus(es) nos atendem, seja lá qual o motivo que motiva tais decisões, se é que eles existem, e não é a mera casualidade que os comanda.

Meu avô faleceu aos 79. Setenta e nove anos bem vividos. Não acumulou bens. Ao contrário, sempre foi pródigo, sempre cometendo loucuras, como viagens, sem se preocupar com o depois. Isso que talvez enlouqueça qualquer empresário, ou gurus de economia pessoal, certamente criou um ambiante mágico para os netos (ou ao menos para mim), sempre esperando uma próxima aventura.

Foi dele também, a paixão por contar histórias (sem a qual, talvez eu nunca tivesse começado a escrever nada, e muito menos os blogs que mantenho). Lembro de não cansar de ouvir, repetidamente, a história do “Alfaiate Valente”, ou como ele contava, o “Mata Sete”.

Lembro também, ainda criança, o medo de ir ao quintal a noite, sozinho, com medo de um lobisomem que espreitasse do alto do muro, pronto pra atacar, como tantos anos antes acontecia na casa dele, quando ele mesmo era criança.

As histórias sempre foram seu forte, sempre pronto a contar uma passagem de sua vida, que parecia tão impossível, quanto crível.

Lembro ainda hoje, quando assisti ao filme “Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas”, e quem o conheceu, pode facilmente reconhecer no personagem de Edward Bloom, a figura do meu avô. E quando assisti ao filme, chorei no final, com o funeral do personagem.

E hoje, de alguma forma, enxerguei a coisa toda dessa maneira. Como Edward, que deixava de contar a história, para passar a ser parte dela.

Por mais clichê que possa parecer, o dia que amanheceu nublado, se abriu no momento do enterro, uma última homenagem talvez do sol, a uma pessoa que sempre amou a praia.

Depois de 24 horas segurando todas as emoções, eu resolvi abrir mão de uma regra minha, de não expor minha vida pessoal aqui, e compartilhar com vocês, essa homenagem ao maior homem que eu conheci.

E agora, uma música, com uma cena muito importante do filme.

Adeus vovô.

 A pedidos do dono da história não iremos revelar o nome de quem a escreveu, envie também sua história

CHAPÉU-DESABAFE

Workshop sobre Luto

A angústia em relação à morte é aliviada ao entendê-la como o fim de um processo natural . Entendê-la é o modo mais fácil de aceitá-la.  A dor da perda é um processo natural pelo qual todos passamos, apesar desse processo ser difícil e doloroso, ele não tem que nos imobilizar. Podemos aprender a ser pacientes com nós mesmos e com outros durante períodos de imensa dor através de uma melhor compreensão do que estamos passando. O que você deve antecipar enquanto lida com imensa dor? Como você vai reagir?

Para nos ajudar a entender e responder essas e outras perguntas, no dia 29 de novembro  das 19:00 às 21:30 h, o psicólogo Guillermo Daniel Leone graduado pela Universidad Argentina John F. Kennedy (M.N.22009). Para mais informações acesse o site do Instituto Gestalt de São Paulo ou envie um e-mail para igsp@gestaltsp.com.br.

Data: 29 de novembro de 2012
Horário: das 19:00 às 21:30 h.
Investimento: R$ 20,00

Gusttavo Lima chora em primeiro show após morte da irmã

Como superar a dor de uma grande perda? Um dos momentos mais delicados na vida da gente é quando alguém que amamos morre. Fiquei bem emocionada ao ver o vídeo do Gusttavo Lima aos prantos no palco, a princípio pensei que ele estaria se promovendo, mas como ignorar a dor de perder alguém que se ama? Ele realmente tentou, afinal de contas a vida segue em frente o show não pode parar e a dor da perda não pode ser evitada.

Nós temos que analisar o que é a perda, ela significa que não poderemos mais compartilhar com aquela pessoa que é muito importante em nossa vida nenhum momento, não poderemos mais abraçar, beijar, ou contar algo bom que aconteceu. Muitas vezes existe uma ligação emocional muito grande entre a pessoa e quem morreu e a perda parece brutal, até mesmo desesperadora.

Nesta quarta-feira (19), o cantor sertanejo Gusttavo Lima subiu aos palcos para fazer mais um de seus shows, seria algo corriqueiro se não tivesse sido o primeiro após a morte da irmã.

Luciana Lima, tinha apenas 26 anos de idade e uma filha de 3 anos, ela morreu durante a madrugada de domingo (16), enquando dormia, em sua casa de um infarto fulminante.

Gustavo aos prantos sentou no chão, e foi amparado pelo cantor Thiaguinho, que fez uma participação em seu show.

Depois de um tempo e de receber a ajuda da sua equipe, ele explicou a situação ao público. “É muito importante estar aqui hoje com vocês. Deixei minha família para trás em respeito aos meus fãs. Estou fazendo este show em homenagem à minha irmã, como se ela estivesse aqui ouvindo”.

Lidar com a morte não é nada fácil, porque é conviver com a perda, o que resta pra quem fica é  lembrar dos bons momentos.

Veja, abaixo o vídeo do show de  Gusttavo Lima.

Falar de morte é importante

Nem começamos a ter atualizações diárias, e já temos o reconhecimento de um dos principais jornais do Brasil, a Folha de S.Paulo.

Nesta terça, a publicação  escreveu um texto sobre luto nas redes sociais. A nossa página foi citada pela jornalista, que também entrevistou vários especialistas.

Quando me sugeriram começar esse projeto, me perguntei até que ponto eu conseguiria ir, pois lidar com a vida das outras pessoas não é fácil. Mas fui conhecendo gente, histórias de vida emocionantes, que me motivaram a seguir em frente.

A atenção que a Folha deu ao assunto só reforça a minha certeza de que é importante, não só para mim, mas para todas as pessoas que enfrentam alguma situação ligada à morte, compartilhar experiências e mensagens construtivas.

Obrigada a todos!