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Lutando até o fim

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Já fazem alguns anos quando conheci a história da Ane Lopes, este blog ainda era um trabalho para conclusão de curso.  Era 14 de janeiro quando ao ler meu feed no Facebook me deparo com uma notícia triste.

Queridos amigos da Ane, encontrei aqui o face dela aberto e, como eu não tenho contato com a maioria de vocês, gostaria de informar que ela não estava em condições de atender às suas chamadas e recados. Nos últimos três ou quatro dias, ela apresentou um quadro de confusão mental cujos motivos ainda estão sendo estudados pelos médicos. No momento, infelizmente, ela está na UTI do Hospital 9 de Julho, sedada e entubada, em condição, nas palavras da médica com quem eu conversei, “bem grave”. Tem um horário de visitas mas aconselho que telefonem antes pra saber se ela poderá receber. O celular dela está aqui na casa da nossa mãe. Vamos continuar orando e obrigada pelo carinho que têm dispensado a ela durante todo esse tempo.

No dia seguinte outra notícia triste dada por um amigo de Ane.

Amigos, com muitíssima tristeza coração informo que nossa querida amiga Ane Lopes se foi. Não há palavras pra descrever toda sua força na luta contra o câncer, esbarrando em milagres dia a dia, sem perder a alegria e compaixão. Hoje ela descansa nos braços do Pai deixando um grande aperto no coração da família, amigos e conhecidos. Orem pra que Deus seja fonte de renovo das pessoas ao seu redor. Assim que tiver informações, aviso.

A garota doente mas cheia de vida com qual tive o prazer de conversar havia partido, sempre acreditamos que a batalha contra o câncer por mais difícil que seja é uma batalha vencida, mas parando pra refletir, talvez a vitória seja a morte para aqueles que estão em constante sofrimento.

Ane faria 27 anos no dia 19 de março, lutou bravamente durante 4 anos contra o câncer, nos últimos três meses sua maior preocupação era o corpo inchado (efeito colateral da quimioterapia). Tinha medo de que seus rins parassem pois foi assim que perdeu o pai (falência dos rins por causa do diabetes). Já não andava muito pois estava muito pesada, já não tinha mais apetite ou vontade de comer coisas diferentes, comia bem pouco.

Apesar de toda dor, nunca perdeu o senso de humor e de crítica. Gravou músicas no estúdio do irmão, desenhou, escreveu, falou ao telefone e sempre dizia que estava bem. Nos últimos 45 dias estava internada mas até o último instante permanecia cheia de esperança de que iria se curar.

Segundo Carmen Eliane, irmã de Ane que acompanhou de perto todo esse tempo. “Nossas tias Francisca e Elza presentearam a Ane e a minha mãe com passagens de avião marcadas para o dia 13 deste mês para viajar para Brasília e depois para Goiânia. A Ane queria muito que desse certo. Quando percebeu que não daria, me disse que eu poderia vir pra ficar com a minha mãe para que nosso irmão pudesse viajar. Ela queria ir pra casa pra ficarmos juntas até ele voltar”.

Em seus planos estavam voltar a estudar, sua maior vontade era de quando se curasse poder viajar para Argentina, queria aprender a dançar tango e beber vinho. Mesmo em alguns momentos de depressão causados por efeitos dos remédios, ela não perdia a esperança de viver, mas estava espiritualmente preparada para partir. Para Carmen dizia que não tinha medo de morrer mas que não queria ficar sofrendo, mas dizia que se essa era a vontade de Deus, então ela tinha que aceitar.

Ane Lopes

Confira abaixo, o vídeo que ela gravou assim que descobriu que tinha câncer.

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Um jovem com câncer

Felipe do Vale

Estava eu navegando no Facebook, quando dei de cara com um texto de um rapaz chamado Felipe do Vale, a história dele vocês podem ler aqui. O que mais me chamou atenção foi a forma como ele tratou a doença, conversei com ele pra saber como ele enfrentou tudo isso. Muitas pessoas tem medo da morte, outras do esquecimento, mas ele não. O Felipe tem certeza que tem algo grande pra fazer na terra, algo maior do que ele e seu medo é na verdade, não conseguir cumprir isso que nem mesmo ele sabe ao certo o que é.

A experiência de enfrentar a possibilidade de morte me fez também não temer mais a mesma. Enxergo como parte do processo. Não um fim, nem um começo, uma transição!

Essa consciência de que tudo é passageiro, de que a vida é só uma etapa de um enorme processo, não é fácil. De que adiantam os protestos contra o destino? Foi com essa visão que ele enfrentou o câncer no intestino, que possuía quase 10cm. A mãe de Felipe desabou assim que recebeu a notícia, mas a ficha dele só caiu mesmo quando chegou ao hospital. “Acho que aquilo criou algum bloqueio, pois confesso que durante todo o tempo pré operatório, um mês e meio +/-, chorei apenas quando contei pra minha namorada”, confessa.

A namorada do qual ele fala, está em sua vida até hoje e fez alguns sacrifícios para poder estar ao seu lado, como faltar uma semana inteira na faculdade e visitá-lo escondida fora dos horários permitidos.

Talvez essa tenha sido a maior demonstração de amor da parte dela. Foi totalmente presente.

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Mas não foi só a namorada que esteve presente, amigos e familiares também demonstraram afeto e solidariedade. Fizeram até uma vaquinha para que ele pudesse pagar o processo de congelamento de sêmen. Pois após o tratamento ele poderia ficar estéril e ainda tinha o sonho de ser pai algum dia. Mesmo com acompanhamento médico, quando descobriu a doença, Felipe procurou todos os mínimos detalhes: causas, tratamentos, relatos, informações, aconselhamentos. Acreditava que conhecendo bem contra o que lutava, teria mais chances de se recuperar.

Embora não seja religioso, a fé sempre esteve presente em sua vida, transformando-o em um rapaz feliz e otimista. Mesmo quando precisou se mudar às pressas, pois os donos da casa em que morava a venderam e deram o prazo para a mudança durante o tratamento.  Mesmo com o pai indo embora de casa pouco antes do diagnóstico, apesar de tudo isso, ele acredita que a fé o manteve de pé.

 Com toda essa experiência que passei a entender que a vida é feita de momentos. Já faz mais de um ano desde o fim do tratamento, mas até hoje ainda me pego apreciando coisas que normalmente passam despercebidas, como o vento, o céu, o sabor das coisas, as texturas, as sonoridades.

Homem fotografa seus dias por 13 anos e seu diagnóstico de câncer

Jeff Harris

Já imaginou se você tirasse uma foto por dia durante 13 anos? E se essas fotos fossem tiradas de uma câmera analógica sendo o resultado uma verdadeira surpresa? Foi o que  Jeff Harris fez durante os anos de sua vida, mas a surpresa não foram as fotos, mas sim o diagnóstico de câncer que veio a partir de um pé fraturado após saltar de duas caixas de som. A luta contra a doença foi retratada nas fotos, sua perna esquerda sofreu uma paralisia permanente e durante todo o período mais de  4.500 fotos foram publicadas em seu site, que teve a última atualização em dezembro de 2011.

A dica do Harris é: “o registro fotográfico do dia-a-dia é um desafio de viver uma vida mais plena”.

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Um apelo de um coração desesperado

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Minha mãe está com câncer e já tentarmos 3 linhas de quimioterapia que não funcionaram. Foi indicado o uso de um medicamento que custa 6 mil reais por mês ou outro que custa 17 mil reais por mês, na tentativa de diminuir a progressão da doença. Entramos com pedido pelo SUS para receber o medicamento de graça e o pedido foi NEGADO! Estamos tentando por outros meios, mas até agora nada.

Estou procurando desesperadamente alguém que tenha um medicamento chamado Pazopanib (nome comercial: Votrient) ou outro chamado Temozolamida (nome comercial: Temodal). São as nossas últimas esperanças!

Se alguém infelizmente teve uma pessoa na família ou um conhecido que teve câncer e faleceu e tem o medicamento sem uso em casa, ou alguém que teve o tratamento interrompido e ainda tem algumas cápsulas, peço que me mandem uma mensagem! Pelo menos até conseguirmos uma outra fonte que forneça esses remédios.

Talvez esse seja o meio de conseguir ver minha mãe bem por mais um tempo.

Esse texto foi compartilhado na página pessoal de Gabriel Debia.

Até breve vovô

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Ontem, dia 14 de janeiro, faleceu a pessoa que fez de mim, muito do que sou hoje. O último ano foi muito difícil, desde a descoberta do câncer, que àquela altura já havia se espalhado, diversas sessões de quimioterapia, radioterapia, a queda de cabelo, e de um bigode que foi cultivado com tanto cuidado por tantos e tantos anos (desde sempre, talvez).

É engraçado, como nos agarramos a fiapos de esperança, a farrapos de vida, na esperança de que algo, alguém, uma força superior, possa mudar o rumo dos acontecimentos. Mas nem sempre o(s) Deus(es) nos atendem, seja lá qual o motivo que motiva tais decisões, se é que eles existem, e não é a mera casualidade que os comanda.

Meu avô faleceu aos 79. Setenta e nove anos bem vividos. Não acumulou bens. Ao contrário, sempre foi pródigo, sempre cometendo loucuras, como viagens, sem se preocupar com o depois. Isso que talvez enlouqueça qualquer empresário, ou gurus de economia pessoal, certamente criou um ambiante mágico para os netos (ou ao menos para mim), sempre esperando uma próxima aventura.

Foi dele também, a paixão por contar histórias (sem a qual, talvez eu nunca tivesse começado a escrever nada, e muito menos os blogs que mantenho). Lembro de não cansar de ouvir, repetidamente, a história do “Alfaiate Valente”, ou como ele contava, o “Mata Sete”.

Lembro também, ainda criança, o medo de ir ao quintal a noite, sozinho, com medo de um lobisomem que espreitasse do alto do muro, pronto pra atacar, como tantos anos antes acontecia na casa dele, quando ele mesmo era criança.

As histórias sempre foram seu forte, sempre pronto a contar uma passagem de sua vida, que parecia tão impossível, quanto crível.

Lembro ainda hoje, quando assisti ao filme “Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas”, e quem o conheceu, pode facilmente reconhecer no personagem de Edward Bloom, a figura do meu avô. E quando assisti ao filme, chorei no final, com o funeral do personagem.

E hoje, de alguma forma, enxerguei a coisa toda dessa maneira. Como Edward, que deixava de contar a história, para passar a ser parte dela.

Por mais clichê que possa parecer, o dia que amanheceu nublado, se abriu no momento do enterro, uma última homenagem talvez do sol, a uma pessoa que sempre amou a praia.

Depois de 24 horas segurando todas as emoções, eu resolvi abrir mão de uma regra minha, de não expor minha vida pessoal aqui, e compartilhar com vocês, essa homenagem ao maior homem que eu conheci.

E agora, uma música, com uma cena muito importante do filme.

Adeus vovô.

 A pedidos do dono da história não iremos revelar o nome de quem a escreveu, envie também sua história

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Gestos bonitos têm de acontecer antes que seja tarde

Star Trek - Além da Escuridão

Nem todo mundo tem a oportunidade de  realizar um desejo antes de morrer, felizmente Daniel um homem de 41 anos conseguiu. Fã de Star Trek, e diagnosticado há muitos anos com leucemia, ele pôde ver o filme “Star Trek – Além da Escuridão” graças a uma postagem no site Reddit.

Infelizmente Daniel estava em estado terminal e faleceu, ele realizou seu último desejo, mas foi um dos poucos que teve essa oportunidade e conseguiu. Por que esperar a morte do ente querido chegar passivamente, se ainda podemos realizar um último desejo? 

Foi através da mensagem abaixo que o diretor J.J. Abrams, chegou até Daniel. Leia na íntegra aqui.

“Meu maravilhoso marido cinéfilo diagnosticado com leucemia aos 38 teve de aguentar três sessões de quimioterapia antes de acharem um doador de medula compatível”, escreveu a esposa de Daniel na mensagem. “Mas ele foi atacado por um novo câncer, totalmente diferente (…) Não há nada a fazer a não ser deixá-lo confortável. Ele tem apenas algumas semanas de vida.”

E você o que faria para realizar o ultimo desejo de quem você ama? Você faria alguma coisa?

Leia também a história de Lola Bloomer

4 anjos e uma vida – Parte II

Enfim, chegamos ao hospital São Camilo, na zona norte de SP, onde eles falaram que atendiam o meu convênio; entrei no hospital quase morto. Foi feita uma reanimação e constatado que eu estava com uma infecção muito forte e pelo meu quadro de câncer aquilo era muito perigoso. Eu tinha que ir para a UTI.

Com os primeiros atendimentos realizados e as coisas se estabilizando, a administração do hospital chega à Fabíola (meu anjo da guarda – ex-namorada) e diz que o convênio não cobria mais o meu atendimento e que eu tinha que sair dali ou pagar a conta. Ela entrou em desespero, não me deixava perceber o tamanho do problema, mas eu sentia que ela não estava bem. Aí começou uma briga entre ela o hospital e o convênio, isso era uma sexta-feira e o convênio não conseguia um hospital para me transferir

No meio de toda essa discussão, chamaram um oncologista para me avaliar, e aí eu conheci meu segundo anjo da guarda, seu nome é Flavio (médico oncologista), mesmo sabendo que eu não ficaria ali foi muito prestativo, e solicito, me deixou seu telefone e indicou algumas clínicas para meu tratamento.

Como era uma sexta-feira, e o convênio não arrumava vaga em outros hospitais e o São Camilo não me liberava, pois meu quadro era muito ruim, fui ficando internado no hospital como particular, sem a mínima condição de arcar com as despesas. Na segunda-feira, Fabíola entrou em contato com uma advogada amiga dela, que veio a se tornar meu terceiro anjo da guarda. A advogada entrou com uma liminar pela manhã e de tarde o juiz deferiu que o convênio teria que arcar com todas as minhas despesas e todo o tratamento naquele hospital.

Já internado no quinto andar, conheço meu quarto anjo da guarda, uma enfermeira chamada Patrícia, que sempre me ajudou muito. Foram feitos novos exames e foi constatado que meu câncer havia se espalhado pelo abdômen, pulmão e pescoço e que meu quadro era muito grave.

 “Eu sentia muita dor, estava conectado na morfina de duas em duas horas”

Fiz três ciclos de quimioterapia, minha namorada em momento nenhum saiu do meu lado e hoje a tenho como minha heroína. Os tumores do abdômen e pulmão desapareceram, ainda existe a doença no pescoço e no dia 26 de setembro fiz uma cirurgia para correção da minha voz e retirada do resíduo de doença que ficou no pescoço.

“Eu me senti morto, chorava muito, achei que não iria aguentar, pois os médicos me davam 30% de chance de ficar bem, por várias vezes me peguei dizendo que não queria mais, não aguentava mais os efeitos do tratamento. Só estou aqui hoje por causa de Deus, e dessas quatro pessoas que citei acima, meus pais, amigos e alunos”

Este relato é baseado em fatos reaisSe você não leu a primeira parte, clique aqui.

4 anjos e uma vida

Nilson Santos é professor e tem apenas 30 anos, quem o vê nem imagina a luta que enfrentou nos últimos tempos. Quase morrer o trouxe de volta para a vida.

Há cerca de dois anos ele descobriu que estava com câncer no testículo, sem  convênio médico, graças a uma grande amiga, conseguiu uma cirurgia, todos o exames e um tratamento no litoral, região onde mora.

Com a cirurgia feita, o médico lhe deu um prognóstico de 95% de chances de cura, foram realizadas doze sessões de radioterapia e seguiu levando uma “vida normal”.

O que Nilson não esperava era em março deste ano começar a sentir fortes dores abdominais e nas costas, desesperado procurou seu oncologista e o mesmo dizia não ser nada relacionado ao câncer.

Sendo tranquilizado pelo médico, retornou para casa, até um dia acordar com nódulos no pescoço. A dor era quase insuportável e os nódulos só faziam aumentar, novamente foi ao oncologista que garantiu pela segunda vez não ser nada.

 “De tanta dor, no dia 25 de março, resolvi me internar por conta própria, já que não aguentava mais de dor”

Como já havia feito um convênio médico Nilson se internou no Hospital Beneficência Portuguesa de Santos por 20 dias, lá fez uma biópsia, e se sentia constantemente mal tratado, ficava largado sem o auxílio de um especialista, em um quarto com outras pessoas.

“Literalmente fiquei jogado lá”

De tanto reclamar recebeu alta, antes mesmo de saber o resultado do exame, ainda em casa a dor não cessava. No dia 12 de maio, seu aniversário, Nilson perdeu a voz e entrou em desespero, a voz era seu instrumento de trabalho, como faria para dar aulas? Era o que se perguntou naquele momento. De volta ao mesmo hospital foi novamente internado, quando o resultado saiu foi um choque. Uma neoplasia maligna.

“A médica que assumiu meu caso me disse: saia daqui, se não vai morrer!”

Foi quando a namorada dele, considerada um anjo em meio a tanta tragédia, pediu alta o colocou no carro e o levou para São Paulo, o que eles não imaginavam eram os problemas que ainda iriam enfrentar. O convênio de Nilson não era aceito em nenhum dos hospitais que eram referência em câncer.

Com a biópsia aberta e sentindo muita dor, o quadro agravou, agora ele estava com uma infecção generalizada, enquanto sua ex-namorada dirigia desesperada em busca de um hospital, ele morria jogado no banco de trás.

A segunda parte, relatada por Nilson será publicada em 21 de novembro de 2012, na próxima quarta-feira. 

Doações que salvaram uma vida

Thaise Bússolo Teixeira, é uma jovem de apenas 32 anos, moradora de uma cidade pequena no interior de Santa Catarina, com apenas  200 mil habitantes. Quem vê uma jovem tão bonita e cheia de vida nem imagina o drama que ela enfrentou de 2011 até agosto desse ano.

Graduada em matemática Thaise está afastada das atividades escolares desde que descobriu sua doença. No final de 2011, ela começou a sentir muita falta de ar, entre idas e vindas a médicos foi internada em janeiro de 2012, durante dez dias, lá foi detectado hipertensão pulmonar (dependendo do caso provoca falha no coração). Sem saber o que causava a doença decidiu ir para Porto Alegre fazer exames mais detalhados.

Finalmente foi diagnosticada com CIA – Comunicação Interatrial, a cirurgia seria feita em setembro, mas da forma convencional. De volta a Criciúma/SC decidiu se consultar com um cirurgião cardíaco conhecido, foi quando conheceu a cirurgia vídeo assistida, um procedimento já feito em grandes centros médicos, mas ainda novo na cidade. O médico já havia realizado seis cirurgias como esta, a dela seria a sétima. Com o parecer favorável de toda a equipe médica, a operação foi marcada para o mês de setembro e quando tudo parecia certo, esbarrou em um fator de impedimento.

O procedimento que é menos invasivo que uma cirurgia convencional (que abre o peito inteiro), e possibilita uma recuperação mais rápida, custa nada menos do que R$ 25.000,00 (Vinte e cinco mil reais).

Afastada do trabalho e recebendo auxílio-doença, já estava juntando dinheiro para este momento, mas ainda não havia conseguido nem metade dessa quantia. Por isso resolveu criar uma “vaquinha” para arrecadar a quantia de  R$ 4.500,00 (Quatro mil e quinhentos reais) que ajudaria na soma do montante.

“Não foi nada fácil descobrir a doença, fiquei em choque”

Thaise e sua família já conhecem bem a rotina de hospitais, sua mãe sofre de um câncer irreversível a cinco anos. Quando descobriu que estava com um problema no coração ficou em choque, mas graças ao apoio de familiares e amigos enfrentou a situação de cabeça erguida.

Em entrevista exclusiva ao blog Lágrimas no Céu, Thaise  falou sobre o medo que sentiu e suas expectativas. 

Viviane Lima: Como foi contar pra sua mãe sobre a sua doença? Como ela encarou isso? 

Thaíse Bússolo: Foi bem complicado, ela não chora na minha frente, mas sei que já chorou muito. Eu e o pai até tentamos esconder, mas agora tivemos que contar tudo certinho.

 VL: Você buscou apoio em algum lugar?

TB: Sou católica, peço muito a Deus que me abençoe neste momento e tenho amigos maravilhosos que não deixam desanimar, nos encontramos todas as semanas para assistir futebol que amamos e nos divertimos muito.

VL: O que mudou depois de você descobrir a doença, se as pessoas se aproximaram ou se afastaram?

TB: Mudou o fato de eu ter que me afastar do trabalho, no qual amava muito. Mas não senti que as pessoas se afastaram, pelo contrário, estão sempre perguntando como estou.

VL: Quais seus medos, expectativas, esperanças?

TB: O medo maior é a cirurgia. As pessoas perguntam: Tá, mas esse método não corre risco? Corre também, toda cirurgia corre. Só o fato de saber que o meu coração e pulmão irão parar de trabalhar e a função será jogada para uma máquina já fico apavorada. O médico quis me mostrar fotos e imagens das outras cirurgias, mas eu me arrepio toda e prefiro não ver nada. Um dos furos é pela aurela do seio e ficará bem machucado, talvez tenha que fazer uma plástica depois.  A expectativa e esperança e poder voltar a ter uma vida normal, e poder cuidar da minha mãe e trabalhar como sempre fiz desde nova. Tenho 32 anos e já tinha 15 anos de carteira assinada, sempre trabalhei, paguei a minha graduação e as minhas duas pós-graduações.

A CIRURGIA

“Me senti enterrada viva, fiquei 12 horas entubada e em alguns momentos acordada, foi um período muito sofrido que estou tendo problemas pra esquecer”

 

A cirurgia de Thaíse foi realizada no dia (07/08), ela conseguiu arrecadar 4 mil reais, ela ficou internada durante nove dias, a cirurgia durou 3 horas e ela teve que passar  três dias na UTI. Dois meses após a cirurgia ela ainda sente dores musculares, mas segundo os médicos sua melhora será progressiva.

Fuck Cancer: A geração Y e as redes sociais contra o câncer

A MonkeyBusiness está apoiando a ONG Fuck Cancer na sua entrada no Brasil. Uma organização americana que tem a missão de espalhar uma notícia: 90% dos casos de câncer são curáveis no estágio 1 da doença. Não se trata de curar o câncer, mas aproveitar o momento tecnológico e cultural que vivemos e pegar uma carona com a geração Y para que essa mensagem seja espalhada pelas redes sociais.

Diferente de outras focadas  em encontrar a cura da doença, a Fuck Cancer é um projeto de pessoas comuns para pessoas comuns. Um projeto em que qualquer um pode ajudar bastante. Independente de formação, inteligência ou dinheiro. Depende de vontade de participar.

A ONG foi criada por Yael Cohen, uma americana que acompanhou a luta da mãe contra a doença e que queria ajudar. Yael foi buscar informações em livros, associações e principalmente na internet. Foi quando percebeu a força que o diálogo e a troca de informações online tem nessa hora. O que é o mais legal de tudo isso? A certeza de que todos podem ajudar como puderem.

Veja abaixo, a apresentação criada pela MonkeyBusiness para divulgar a Fuck Cancer.