Arquivo mensal: outubro 2013

Um jovem com câncer

Felipe do Vale

Estava eu navegando no Facebook, quando dei de cara com um texto de um rapaz chamado Felipe do Vale, a história dele vocês podem ler aqui. O que mais me chamou atenção foi a forma como ele tratou a doença, conversei com ele pra saber como ele enfrentou tudo isso. Muitas pessoas tem medo da morte, outras do esquecimento, mas ele não. O Felipe tem certeza que tem algo grande pra fazer na terra, algo maior do que ele e seu medo é na verdade, não conseguir cumprir isso que nem mesmo ele sabe ao certo o que é.

A experiência de enfrentar a possibilidade de morte me fez também não temer mais a mesma. Enxergo como parte do processo. Não um fim, nem um começo, uma transição!

Essa consciência de que tudo é passageiro, de que a vida é só uma etapa de um enorme processo, não é fácil. De que adiantam os protestos contra o destino? Foi com essa visão que ele enfrentou o câncer no intestino, que possuía quase 10cm. A mãe de Felipe desabou assim que recebeu a notícia, mas a ficha dele só caiu mesmo quando chegou ao hospital. “Acho que aquilo criou algum bloqueio, pois confesso que durante todo o tempo pré operatório, um mês e meio +/-, chorei apenas quando contei pra minha namorada”, confessa.

A namorada do qual ele fala, está em sua vida até hoje e fez alguns sacrifícios para poder estar ao seu lado, como faltar uma semana inteira na faculdade e visitá-lo escondida fora dos horários permitidos.

Talvez essa tenha sido a maior demonstração de amor da parte dela. Foi totalmente presente.

casal

Mas não foi só a namorada que esteve presente, amigos e familiares também demonstraram afeto e solidariedade. Fizeram até uma vaquinha para que ele pudesse pagar o processo de congelamento de sêmen. Pois após o tratamento ele poderia ficar estéril e ainda tinha o sonho de ser pai algum dia. Mesmo com acompanhamento médico, quando descobriu a doença, Felipe procurou todos os mínimos detalhes: causas, tratamentos, relatos, informações, aconselhamentos. Acreditava que conhecendo bem contra o que lutava, teria mais chances de se recuperar.

Embora não seja religioso, a fé sempre esteve presente em sua vida, transformando-o em um rapaz feliz e otimista. Mesmo quando precisou se mudar às pressas, pois os donos da casa em que morava a venderam e deram o prazo para a mudança durante o tratamento.  Mesmo com o pai indo embora de casa pouco antes do diagnóstico, apesar de tudo isso, ele acredita que a fé o manteve de pé.

 Com toda essa experiência que passei a entender que a vida é feita de momentos. Já faz mais de um ano desde o fim do tratamento, mas até hoje ainda me pego apreciando coisas que normalmente passam despercebidas, como o vento, o céu, o sabor das coisas, as texturas, as sonoridades.

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