Arquivo mensal: novembro 2012

Exemplo de pai, exemplo de filho

Nas redes sociais várias lamentações, não há quem não conhecesse Joelmir Betting um grande jornalista e comentarista econômico no Jornal da Band.  Sua morte foi anunciada aos ouvintes da Rádio Bandeirantes pelo filho Mauro, durante a cobertura pós-jogo da partida entre São Paulo e Universidad Católica, pela Copa Sul-Americana. Aos 75 anos, ainda estava na flor da idade, mas não resistiu a um  acidente vascular encefálico hemorrágico (AVE).

Do filho uma singela homenagem em forma de carta, veja abaixo.

Nunca falei com meu pai a respeito depois que o Palmeiras foi rebaixado. Sei que ele soube. Ou imaginou. Só sei que no primeiro domingo depois da queda para a Segunda pela segunda vez, seu Joelmir teve um derrame antes de ver a primeira partida depois do rebaixamento. Ele passou pela tomografia logo pela manhã. Em minutos o médico (corintianíssimo) disse que outro gigante não conseguiria se reerguer mais”.

No dia do retorno à segundona dos infernos meu pai começou a ir para o céu. As chances de recuperação de uma doença autoimune já não eram boas. Ficaram quase impossíveis com o que sangrou o cérebro privilegiado. Irrigado e arejado como poucos dos muitos que o conhecem e o reconhecem. Amado e querido pelos não poucos que tiveram o privilégio de conhecê-lo.

Meu pai.

O melhor pai que um jornalista pode ser. O melhor jornalista que um filho pode ter como pai.

Preciso dizer algo mais para o melhor Babbo do mundo que virou o melhor Nonno do Universo?

Preciso. Mas não sei. Normalmente ele sabia tudo. Quando não sabia, inventava com a mesma categoria com que falava sobre o que sabia.

Todo pai é assim para o filho. Mas um filho de jornalista que também é jornalista fica ainda mais órfão.

Nunca vi meu pai como um super-herói. Apenas como um humano super. Só que jamais imaginei que ele pudesse ficar doente e fraco de carne. Nunca admiti que nós pudéssemos perder quem só nos fez ganhar.

Por isso sempre acreditei no meu pai e no time dele. O nosso.

Ele me ensinou tantas coisas que eu não sei. Uma que ficou é que nem todas as palavras precisam ser ditas. Devem ser apenas pensadas. Quem fala o que pensa não pensa no que fala. Quem sente o que fala nem precisa dizer.

Mas hoje eu preciso agradecer pelos meus 46 anos. Pelos 49 de amor da minha mãe. Pelos 75 dele.

Mais que tudo, pelo carinho das pessoas que o conhecem, logo gostam dele. Especialmente pelas pessoas que não o conhecem, e algumas choraram como se fosse um velho amigo.

Uma coisa aprendi com você, Babbo. Antes de ser um grande jornalista é preciso ser uma grande pessoa.

Com ele aprendi que não tenho de trabalhar para ser um grande profissional. Preciso tentar ser uma grande pessoa. Como você fez as duas coisas.

Desculpem, mas não vou chorar. Choro por tudo. Por isso choro sempre pela família, Palmeiras, amores, dores, cores, canções.

Mas não vou chorar por algo mais que tudo que existe no meu mundo que são meus pais. Meus pais, que também deveriam se chamar minhas mães, sempre foram presentes. Um regalo divino.

Meu pai nunca me faltou mesmo ausente de tanto que trabalhou. Ele nunca me falta por que teve a mulher maravilhosa que é dona Lucila. Segundo seu Joelmir, a segunda maior coisa da vida dele. Que a primeira sempre foi o amor que ele sentiu por ela desde 1960. Quando se conheceram na rádio 9 de julho. Onde fizeram família. Meu irmão e eu. Filhos do rádio.

Filhos de um jornalista econômico pioneiro e respeitado, de um âncora de TV reconhecido e inovador, de um mestre de comunicação brilhante e trabalhador.

Meu pai.

Eu sempre soube que jamais seria no ofício algo nem perto do que ele foi. Por que raros foram tão bons na área dele. Raríssimos foram tão bons pais como ele. Rarésimos foram tão bons maridos. Rarissíssimos foram tão boas pessoas. E não existe outra palavra inventada para falar quão raro e caro palmeirense ele foi.

Mas sempre é bom lembrar que palmeirenses não se comparam. Não são mais. Não são menos. São Palmeiras. Basta.

Como ele um dia disse no anúncio da nova arena, em 2007, como esteve escrito no vestiário do Palmeiras no Palestra, de 2008 até a reforma: “explicar a emoção de ser palmeirense a um palmeirense é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense… é simplesmente impossível!.

A ausência dele não tem nome. Mas a presença dele ilumina de um modo que eu jamais vou saber descrever. Como jamais saberei escrever o que ele é. Como todo pai de toda pessoa. Mais ainda quando é um pai que sabia em 40 segundos descrever o que era o Brasil. E quase sempre conseguia. Não vou ficar mais 40 frases tentando descrever o que pude sentir por 46 anos.

Explicar quem é Joelmir Beting é desnecessário. Explicar o que é meu pai não estar mais neste mundo é impossível.

Nonno, obrigado por amar a Nonna. Nonna, obrigado por amar o Nonno.

Os filhos desse amor jamais serão órfãos.

Como oficialmente eu soube agora, 1h15 desta quinta-feira, 29 de novembro. 32 anos e uma semana depois da morte de meu Nonno, pai da minha guerreira Lucila.

Joelmir José Beting foi encontrar o Pai da Bola Waldemar Fiume nesta quinta-feira, 0h55.

A falta que faz um herói em nossa vida…

 

Um abraço bem apertado. Sim, essa é a melhor imagem que tenho dele.

Mais que herói, foi pai, foi irmão…Foi conselheiro, foi exemplo.

Sinônimo de batalha, de simplicidade, de vitória.

Foi É meu avô perfeito, meu anjo em forma de gente.

Minha paixão e admiração maior, minha saudade que mais dói. Avô com garra, e com o coração maior do mundo. Alguém invejável em caráter e valores.

Foi meu sonho real, ainda é meu porto-seguro. Minha melhor lembrança, minha maior saudade.

Boa parte do que me mantém aqui, faz parte do que ele me ensinou. Muito dele, me fez tornar a Amanda que eu sou.

Dele, só guardo o melhor, e só sinto saudade. A certeza de que ele está sempre por perto, de alguma forma, ainda me mantém viva e sorridente, com esperanças de revê-lo um dia (seja lá onde, ou quando).

Vô, fazem quatro anos que você se foi. Porque os bons de coração vão sempre primeiro.

Foi, e deixou saudade em muita gente por aqui. Em mim, acima de tudo.

Ficou na memória, na lembrança, no coração.

Eu te amo com a maior intensidade que meu coração é capaz. E desejo todos os dias que você esteja bem onde estiver.

Quatro anos e eu ainda sinto sua falta (acho que nunca deixarei de sentir). Lembrar de você é um misto de alegria e saudade. De lágrimas e sorrisos. Simplesmete porque eu te amo, e sinto sua falta.

Você É definitivamente, o melhor avô do mundo!

Ok. Foi um cisco no olho. Já passou.

 

De: Amanda Armelin Para: Vovô

 

Saiba como enviar sua história aqui

 

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Sou blogueira, sou guerreira! (Update)

(Infelizmente A Manuela perdeu a luta contra o câncer em outubro deste ano)

Descobri o nódulo em Agosto de 2011, mas já sentia há bastante tempo, eu confundi com leite empedrado, não dei a devida importância, não conseguia marcar médico por causa do trabalho, e o diagnóstico foi tardio.

Sou Manuela Nygaard tenho 28 anos, atualmente não trabalho, parei por causa do câncer. Eu trabalhava com vendas, estava entrando no ramo imobiliário. Minha vida financeira está uma porcaria, não posso trabalhar, não tinha carteira assinada, logo não tenho direito a benefícios. Me trato pelo SUS, tenho tido sorte com o tratamento (transporte gratuito, hospital de qualidade, etc). Sou blogueira ha quase 3 anos.

Tenho amplo histórico de câncer na família. Papai morreu quando eu tinha 7 anos com câncer de próstata. No dia em que fiz a ultrassom que diagnosticou meu câncer eu só lembrava isso: meu filho estava prestes a fazer 6 anos, assim como eu quando papai foi diagnosticado.

 “Passei uma semana chorando, achando que iria morrer e deixar meu filho órfão”

Depois que o susto passou me dei conta de que poderia lutar, que mesmo se perdesse a luta deveria deixar um exemplo pro meu filho e é isso que eu faço. É difícil, tem horas em que realmente a dor e a dúvida abatem, mas é preciso, não há opção.

Mamãe não consegue olhar pro meu seio. Eu fui mostrar pra ela super feliz por ter tido uma melhora visível no aspecto (meu seio está deformado por causa do câncer) e ela chorou.

Meu filho sente claro, não demonstra tanto, mas sente. Ele leva tudo na brincadeira, natural de uma criança. Quando raspei a cabeça o pai dele brincou fazendo um moicano e ele se divertiu bastante. Eu tento amenizar ao máximo pra ele, mesmo ele dizendo que não se importa eu notei que a minha careca o incomodava, por isso pedi á Fundação Laço Rosa uma peruca, e o brilho nos olhos dele e a alegria ao me ver buscá-lo na porta da escola com aquela peruca me fizeram nunca mais querer sair de casa com ele sem ela.

Meu marido e eu estávamos em crise ha vários meses (talvez anos). No fatídico dia da ultra eu havia pedido a separação. Mas continuávamos morando juntos. Após o diagnóstico, cedendo à pressão de todos e ao sentimento, nos reconciliamos. No final de Abril nos separamos novamente. Passamos uma semana separados, voltamos e estamos melhor do que nunca.

“Existe sexo e desejo sim após o câncer! É diferente, muito diferente!”

Às vezes a minha autoestima está tão baixa que eu não consigo ficar sem blusa perto do meu marido (ainda não operei, mas meu seio está muito deformado). Depois que recebi a peruca por várias vezes eu tenho usado pra namorar com meu marido.

“São pequenos detalhes que nos faz sentir mais mulher”

O cabelo, os seios são símbolos da sexualidade feminina e são eles os mais afetados, por muitas vezes eu me pego triste, por várias me permiti chorar, mas não me deixo abater. Tenho consciência de que a minha qualidade de vida com o câncer pode piorar muito se eu me deixar abater.

“Não sou tão forte quanto falam”

Poderia chorar me lamentar, mas estou procurando algo para ocupar a minha cabeça e não permitir que a dor seja mais forte do que a minha vontade de vencer. Vejo muitas mulheres com câncer deprimidas, pra baixo. Eu também fico pra baixo, me deprimo, mas penso em primeiro lugar em vencer.

“Não há vitória sem luta e não há luta sem esforço”

Meu câncer é do tipo Carcinoma Ductal Infiltrantequando iniciei meu tratamento eu tinha grandes chances de fazer uma cirurgia conservadora, tirar somente um pedaço do peito  mas a quimioterapia não teve o efeito esperado e hoje já é falada na possibilidade de uma cirurgia radical, tirar o seio inteiro e reconstruir posteriormente.

Tenho ovários micropolicisticos. Nunca menstruei dois meses seguidos na mesma data, depois que comecei a quimioterapia todo dia 1 a minha menstruação vem! Por que to falando isso? Porque eu uma menina nova, 28 anos, com problemas hormonais esta com câncer e após o tratamento o problema hormonal se regularizou. Alguma ligação há nisso.

E de fato conforme diagnosticado em exames meu câncer é alimentado por hormônios, o que deve me render cinco anos de medicação pós-cirurgia pra evitar que o câncer volte. Provavelmente após isso estarei infértil e na menopausa, isso antes dos 35 anos, eu não sonho em ser mãe novamente, até porque perdi três bebês. Não quero passar por isso novamente, mas já vi muitos casos de mulheres jovens como eu que ainda não tem filhos e que não tem condições de pagar 20 mil pra ter os óvulos congelados (isso no banco de óvulos mais barato, o valor pode duplicar). Isso de fato é desesperador.

O câncer nos deforma de diversas formas, engordei 6 quilos, tem mulheres que engordam o dobro disso. Sem contar a perda dos cabelos, a tristeza, muitas vezes o marido não compreende nem apoia como deveria, a autoestima é muito abalada.

Procuro o tempo todo me animar, levantar o meu astral. Quando sinto que não estou bem me arrumo, em casa mesmo, maquilo, ponho a peruca, me perfumo tudo pra me sentir melhor. Quando percebi o poder de um batom e um rímel nunca mais me deixei abater.

Minha mãe cuida da casa, do meu filho, provê boa parte do sustento da família, e agradeço muito por isso. Se fossemos somente meu marido e eu não sei se daria conta. Muita não tem a sorte de poder contar com uma mãe por perto como eu tenho.

“É difícil lidar com os sentimento alheios”

Eu vejo a dor na minha mãe por me ver assim, assim como naqueles que são mais próximos. E é frustrante não poder fazer nada para impedir, saber que eu sou o motivo da dor deles.

Graças a Deus nesses últimos meses pude contar com minhas amigas virtuais e reais, conheci mulheres maravilhosas que me ajudaram muito, me levantam quando eu caio, me ajudam a não me abater. A amizade, mesmo que de longe (por telefone, internet) é valiosa e pode ajudar muito.

Cercar-nos de pessoas positivas e de bem com a vida, mesmo que de longe, ajuda a nos mantermos pra cima. Mesmo com tanto apoio é doloroso quando eu olho nos grupos de apoio virtual dos quais participo e vejo que alguém piorou ou morreu. Ou ainda quando se abate uma depressão coletiva e todas começam a se lamentar e chorar juntas, são momentos difíceis, mas necessários não devem ser evitados e sim superados.

Quer saber uma coisa que me incomoda?

Outras pessoas que não sabem lidar com o diferente, assim que raspei a cabeça eu saia na rua, na cara e na coragem “carecona”. Não me incomodava nem me envergonhava só que as pessoas não sabem lidar com o diferente. E por algumas vezes andando na rua com a minha mãe eu a via reclamando das pessoas olhando, falando alto mesmo e isso me incomodou. Comecei a perceber que incomodava meu filho também, daí em diante evitava sair de casa de dia, só saia a noite de lenço.

Uma situação que me incomodou bastante foi ver uma vizinha que estudou com meu filho ano passado assustada ao me ver careca. É só uma criança, mas me deixou assustada, assim como também me incomodou pessoas que se importaram mais com a perda do meu cabelo do que comigo.

 Nesses meses de tratamento eu tenho passado a maior parte do meu tempo no computador, no Facebook, cuidando dos meus blogs, vendo noticias, etc. Nunca fui muito de sair, mas ultimamente eu tenho me forçado a sair de casa. Comecei a caminhar, sempre que aquento (até pra diminuir os malefícios da quimioterapia). Tenho assumido compromissos com meu filho, tipo levá-lo ao futebol ao invés do pai, tenho ido buscá-lo na escola, tenho tentado até frequentar mercados e lojas (que confesso ainda me deixam desconfortável pelo grande volume de pessoas, tenho medo que alguém esbarre em mim e machuque meu seio).

“Só quero enfatizar uma coisa: tenho que ser forte, mas não sou. Há uma enorme diferença no psicológico da gente”

Não acho que devemos tentar ser fortes sozinhas. Existem associações, grupos de apoio (como os Neuróticos Anônimos que conheci a pouco e que ajuda muitas pessoas), grupos virtuais mesmo (como o Amigas do Peito) em que podemos nos ancorar e encontrar forças.

Uma coisa importante: o trabalho das ONGS e associações, ou até mesmo de profissionais independentes que se esforçam em ajudar a causa do câncer de mama. Esses portos seguros tão importantes são desconhecidos pela maioria das mulheres, não tem o apoio e a divulgação necessária, mas tem enorme potencial de ajuda.

Música da semana – In My Time Of Dying

A fama é para os homens como os cabelos – cresce depois da morte, quando já lhe é de pouca serventia.

Albert Einstein

Na Hora Do Meu Fim

Na hora do meu fim, não quero ninguém de luto
Só o que eu quero que faça, é levar meu corpo para casa
Bem, bem, bem, para que assim eu morra sossegado
Bem, bem, bem, para que assim eu morra sossegado
Jesus fará a minha cama final
Venha a mim Jesus, venha a mim venha a mim no meio do espaço
Se minhas asas falharem, Senhor,
Por favor venha a mim com um novo par
Bem, bem, bem, para que assim eu morra sossegado
Bem, bem, bem, para que assim eu morra sossegado
Jesus o fará, alguém, alguém
Jesus o fará, Jesus o fará a minha cama final
Oh, São Pedro, nos portões do céu, eixe-me entrar
Eu nunca fiz mal algum, eu nunca fiz nada errado
Oh Gabriel, deixe-me tocar sua trombeta, deixe-me tocar sua trombeta
Oh, eu nunca fiz, nunca fiz mal algum
Eu só fui jovem assim uma única vez
Eu nunca pensei que faria mal a alguém nenhuma vez
Oh, eu fiz bem a alguém
Algo bem a alguém
Oh, eu fiz bem a alguém
Eu devo ter feito bem a alguém
E eu os vejo nas ruas
E os os vejo no campo
E eu os escuto, gritando aos meus pés
E eu sei que esta é a realidade
Oh, Senhor, livrai-me
Tudo de mal que eu fiz
Podes livrar-me, Senhor
Eu só queria um pouco de diversão
Escute os anjos marchando, escute as marchas escute eles marchando
Escute eles marchando, as marchas
Oh meu Jesus, oh meu Jesus
Oh meu Jesus, oh meu Jesus
Oh meu Jesus, oh meu Jesus
Oh meu Jesus, oh meu Jesus
Oh, não faças a minha morte, morte, morte?

4 anjos e uma vida – Parte II

Enfim, chegamos ao hospital São Camilo, na zona norte de SP, onde eles falaram que atendiam o meu convênio; entrei no hospital quase morto. Foi feita uma reanimação e constatado que eu estava com uma infecção muito forte e pelo meu quadro de câncer aquilo era muito perigoso. Eu tinha que ir para a UTI.

Com os primeiros atendimentos realizados e as coisas se estabilizando, a administração do hospital chega à Fabíola (meu anjo da guarda – ex-namorada) e diz que o convênio não cobria mais o meu atendimento e que eu tinha que sair dali ou pagar a conta. Ela entrou em desespero, não me deixava perceber o tamanho do problema, mas eu sentia que ela não estava bem. Aí começou uma briga entre ela o hospital e o convênio, isso era uma sexta-feira e o convênio não conseguia um hospital para me transferir

No meio de toda essa discussão, chamaram um oncologista para me avaliar, e aí eu conheci meu segundo anjo da guarda, seu nome é Flavio (médico oncologista), mesmo sabendo que eu não ficaria ali foi muito prestativo, e solicito, me deixou seu telefone e indicou algumas clínicas para meu tratamento.

Como era uma sexta-feira, e o convênio não arrumava vaga em outros hospitais e o São Camilo não me liberava, pois meu quadro era muito ruim, fui ficando internado no hospital como particular, sem a mínima condição de arcar com as despesas. Na segunda-feira, Fabíola entrou em contato com uma advogada amiga dela, que veio a se tornar meu terceiro anjo da guarda. A advogada entrou com uma liminar pela manhã e de tarde o juiz deferiu que o convênio teria que arcar com todas as minhas despesas e todo o tratamento naquele hospital.

Já internado no quinto andar, conheço meu quarto anjo da guarda, uma enfermeira chamada Patrícia, que sempre me ajudou muito. Foram feitos novos exames e foi constatado que meu câncer havia se espalhado pelo abdômen, pulmão e pescoço e que meu quadro era muito grave.

 “Eu sentia muita dor, estava conectado na morfina de duas em duas horas”

Fiz três ciclos de quimioterapia, minha namorada em momento nenhum saiu do meu lado e hoje a tenho como minha heroína. Os tumores do abdômen e pulmão desapareceram, ainda existe a doença no pescoço e no dia 26 de setembro fiz uma cirurgia para correção da minha voz e retirada do resíduo de doença que ficou no pescoço.

“Eu me senti morto, chorava muito, achei que não iria aguentar, pois os médicos me davam 30% de chance de ficar bem, por várias vezes me peguei dizendo que não queria mais, não aguentava mais os efeitos do tratamento. Só estou aqui hoje por causa de Deus, e dessas quatro pessoas que citei acima, meus pais, amigos e alunos”

Este relato é baseado em fatos reaisSe você não leu a primeira parte, clique aqui.

4 anjos e uma vida

Nilson Santos é professor e tem apenas 30 anos, quem o vê nem imagina a luta que enfrentou nos últimos tempos. Quase morrer o trouxe de volta para a vida.

Há cerca de dois anos ele descobriu que estava com câncer no testículo, sem  convênio médico, graças a uma grande amiga, conseguiu uma cirurgia, todos o exames e um tratamento no litoral, região onde mora.

Com a cirurgia feita, o médico lhe deu um prognóstico de 95% de chances de cura, foram realizadas doze sessões de radioterapia e seguiu levando uma “vida normal”.

O que Nilson não esperava era em março deste ano começar a sentir fortes dores abdominais e nas costas, desesperado procurou seu oncologista e o mesmo dizia não ser nada relacionado ao câncer.

Sendo tranquilizado pelo médico, retornou para casa, até um dia acordar com nódulos no pescoço. A dor era quase insuportável e os nódulos só faziam aumentar, novamente foi ao oncologista que garantiu pela segunda vez não ser nada.

 “De tanta dor, no dia 25 de março, resolvi me internar por conta própria, já que não aguentava mais de dor”

Como já havia feito um convênio médico Nilson se internou no Hospital Beneficência Portuguesa de Santos por 20 dias, lá fez uma biópsia, e se sentia constantemente mal tratado, ficava largado sem o auxílio de um especialista, em um quarto com outras pessoas.

“Literalmente fiquei jogado lá”

De tanto reclamar recebeu alta, antes mesmo de saber o resultado do exame, ainda em casa a dor não cessava. No dia 12 de maio, seu aniversário, Nilson perdeu a voz e entrou em desespero, a voz era seu instrumento de trabalho, como faria para dar aulas? Era o que se perguntou naquele momento. De volta ao mesmo hospital foi novamente internado, quando o resultado saiu foi um choque. Uma neoplasia maligna.

“A médica que assumiu meu caso me disse: saia daqui, se não vai morrer!”

Foi quando a namorada dele, considerada um anjo em meio a tanta tragédia, pediu alta o colocou no carro e o levou para São Paulo, o que eles não imaginavam eram os problemas que ainda iriam enfrentar. O convênio de Nilson não era aceito em nenhum dos hospitais que eram referência em câncer.

Com a biópsia aberta e sentindo muita dor, o quadro agravou, agora ele estava com uma infecção generalizada, enquanto sua ex-namorada dirigia desesperada em busca de um hospital, ele morria jogado no banco de trás.

A segunda parte, relatada por Nilson será publicada em 21 de novembro de 2012, na próxima quarta-feira.