Arquivo mensal: outubro 2012

Doações que salvaram uma vida

Thaise Bússolo Teixeira, é uma jovem de apenas 32 anos, moradora de uma cidade pequena no interior de Santa Catarina, com apenas  200 mil habitantes. Quem vê uma jovem tão bonita e cheia de vida nem imagina o drama que ela enfrentou de 2011 até agosto desse ano.

Graduada em matemática Thaise está afastada das atividades escolares desde que descobriu sua doença. No final de 2011, ela começou a sentir muita falta de ar, entre idas e vindas a médicos foi internada em janeiro de 2012, durante dez dias, lá foi detectado hipertensão pulmonar (dependendo do caso provoca falha no coração). Sem saber o que causava a doença decidiu ir para Porto Alegre fazer exames mais detalhados.

Finalmente foi diagnosticada com CIA – Comunicação Interatrial, a cirurgia seria feita em setembro, mas da forma convencional. De volta a Criciúma/SC decidiu se consultar com um cirurgião cardíaco conhecido, foi quando conheceu a cirurgia vídeo assistida, um procedimento já feito em grandes centros médicos, mas ainda novo na cidade. O médico já havia realizado seis cirurgias como esta, a dela seria a sétima. Com o parecer favorável de toda a equipe médica, a operação foi marcada para o mês de setembro e quando tudo parecia certo, esbarrou em um fator de impedimento.

O procedimento que é menos invasivo que uma cirurgia convencional (que abre o peito inteiro), e possibilita uma recuperação mais rápida, custa nada menos do que R$ 25.000,00 (Vinte e cinco mil reais).

Afastada do trabalho e recebendo auxílio-doença, já estava juntando dinheiro para este momento, mas ainda não havia conseguido nem metade dessa quantia. Por isso resolveu criar uma “vaquinha” para arrecadar a quantia de  R$ 4.500,00 (Quatro mil e quinhentos reais) que ajudaria na soma do montante.

“Não foi nada fácil descobrir a doença, fiquei em choque”

Thaise e sua família já conhecem bem a rotina de hospitais, sua mãe sofre de um câncer irreversível a cinco anos. Quando descobriu que estava com um problema no coração ficou em choque, mas graças ao apoio de familiares e amigos enfrentou a situação de cabeça erguida.

Em entrevista exclusiva ao blog Lágrimas no Céu, Thaise  falou sobre o medo que sentiu e suas expectativas. 

Viviane Lima: Como foi contar pra sua mãe sobre a sua doença? Como ela encarou isso? 

Thaíse Bússolo: Foi bem complicado, ela não chora na minha frente, mas sei que já chorou muito. Eu e o pai até tentamos esconder, mas agora tivemos que contar tudo certinho.

 VL: Você buscou apoio em algum lugar?

TB: Sou católica, peço muito a Deus que me abençoe neste momento e tenho amigos maravilhosos que não deixam desanimar, nos encontramos todas as semanas para assistir futebol que amamos e nos divertimos muito.

VL: O que mudou depois de você descobrir a doença, se as pessoas se aproximaram ou se afastaram?

TB: Mudou o fato de eu ter que me afastar do trabalho, no qual amava muito. Mas não senti que as pessoas se afastaram, pelo contrário, estão sempre perguntando como estou.

VL: Quais seus medos, expectativas, esperanças?

TB: O medo maior é a cirurgia. As pessoas perguntam: Tá, mas esse método não corre risco? Corre também, toda cirurgia corre. Só o fato de saber que o meu coração e pulmão irão parar de trabalhar e a função será jogada para uma máquina já fico apavorada. O médico quis me mostrar fotos e imagens das outras cirurgias, mas eu me arrepio toda e prefiro não ver nada. Um dos furos é pela aurela do seio e ficará bem machucado, talvez tenha que fazer uma plástica depois.  A expectativa e esperança e poder voltar a ter uma vida normal, e poder cuidar da minha mãe e trabalhar como sempre fiz desde nova. Tenho 32 anos e já tinha 15 anos de carteira assinada, sempre trabalhei, paguei a minha graduação e as minhas duas pós-graduações.

A CIRURGIA

“Me senti enterrada viva, fiquei 12 horas entubada e em alguns momentos acordada, foi um período muito sofrido que estou tendo problemas pra esquecer”

 

A cirurgia de Thaíse foi realizada no dia (07/08), ela conseguiu arrecadar 4 mil reais, ela ficou internada durante nove dias, a cirurgia durou 3 horas e ela teve que passar  três dias na UTI. Dois meses após a cirurgia ela ainda sente dores musculares, mas segundo os médicos sua melhora será progressiva.

Entre a Vida e a Morte – Qual a escolha certa?

Between Life and Death -Entre a Vida e a Morte, é um documentário produzido pela BBC,  que relata o drama de três famílias que tiveram seus entes queridos envolvidos em graves acidentes e estão entre a vida e a morte. Infelizmente para uma dessas famílias o fim é trágico.

Um dos casos comoventes é o de Richard Rudd, de 43 anos,  ele entrou em coma após sofrer danos à espinha e conseguia mexer apenas os olhos.  A família alegou que ele conseguiu se comunicar e que havia manifestado o desejo de morrer. Mas, com os olhos ele se conversou com os médicos e pediu que não desligassem os aparelhos que o mantinham vivo.

Em 23 de outubro de 2009, Richard estava pilotando uma motocicleta quando bateu um carro em alta velocidade.  Ele foi diagnosticado como paraplégico, depois de passar um mês passando por vários testes e exames, foi confirmado que a paralisia de ambos os braços e pernas era para ser permanente.

Na época o próprio pai de Richard chegou a dizer: Para manter alguém vivo, enquanto eles estão sofrendo e que não vai ficar melhor, ele está brincando de Deus, se você gosta, porque vai contra a natureza”.

Neste caso, a vontade de viver falou mais alto. Confira, abaixo, um trecho do documentário Between Life and Death, da BBC.

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Minha mãe tinha um câncer no cérebro

Mechamo Lili Dans, descobrimos que minha mãe tinha um câncer maligno no cérebro. Daqueles que só de falar parece já ser uma sentença de morte. Vem um médico e diz: “ela tem três meses de vida.” Isso aconteceu há três anos. O doutor se recusou a falar isso na frente dela e deixa a bomba para a gente. Não sabendo que podia viver mais do que a previsão, minha mãe hoje leva uma vida normal.

Ela sempre foi uma pessoa muito ativa e independente. Trabalhou desde os 16 anos de idade como professora e assim continuou até seus 52 anos, quando se aposentou. Finalmente ela teve a oportunidade de cuidar de si e foi sempre uma pessoa preocupada em ajudar os outros. Cuidava da minha avó, de mim e da minha irmã, da casa, participava da Pastoral da Criança; enfim, dedicou sua vida ao próximo. Católica fervorosa, ir à missa era seu maior prazer.

A vida seguia como tinha que ser. Minha avó faleceu e, com muita dor, continuamos o nosso caminho. Em julho de 2009, começamos a perceber uns comportamentos estranhos da minha mãe. Ela parecia estar em um outro mundo, longe. Eu perguntava algumas coisas e, às vezes, ela respondia algo sem nexo. No meu aniversário, no final de agosto, a gente começou a realmente se preocupar por ela passar a ter dificuldades para se movimentar. Em duas semanas, ela sofria para se levantar da cama, caía quando tentava pegar algo do chão e não conseguia se segurar até ir ao banheiro. Foi aí que decidimos levá-la a um neurologista, achando que ela estava com algum tipo de depressão profunda em decorrência da morte da minha avó.

O médico olhou os exames e soltou a bomba. Era um tumor malígno conhecido como Gliobastoma Multiforme e que não havia muito o que fazer. Ela só tinha três meses de vida pela frente.

Não foi fácil. Eu morava em outra cidade, estava para terminar a faculdade e só faltava a entrega do TCC quando minha irmã me ligou chorando, pedindo para eu voltar para casa, pois tínhamos que curtir os últimos momentos da minha mãe. Aí o seu chão some, você culpa Deus e até se revolta contra Ele ou seja lá quem for a força divina que perambula pelo mundo. Liguei para o meu pai, que estava super abalado e pedi pra falar com ela. Pela primeira vez eu disse “eu te amo”. Não me joguem pedras, não é que eu não a amava. Nunca tive liberdade ou coragem de falar. No outro dia fui para a cidade onde meus pais moravam e, como é um lugar pequeno no interior do Paraná, a notícia correu rápido. Aparecia gente desconhecida, gente conhecida e uma mulher que até fez praticamente uma unção de enfermo terminal. Nessa hora apareceu até deputado querendo mostrar compaixão.

Fomos buscar uma segunda opinião. O médico disse que era necessária uma cirurgia para avaliar o tipo das células para iniciar um tratamento. Como se não bastasse, o plano de saúde se negou a cobrir o procedimento, mas nada como um bom advogado para dar um jeito nisso. Duas semana depois, cirurgia feita, sucesso total e nem foi preciso cortar o cabelinho dela.

Mas o cabelo não resistiu às sessões de radioterapia e também, depois, as de quimioterapia. Mas não tinha importância: mandamos fazer uma peruca super estilosa e ela ficava “toda toda” quando alguém desconhecido perguntava onde ela pintava o cabelo. E como a gente se divertia colocando a peruca e tirando fotos. Mas ela deu várias gargalhadas gostosas. Ah, se deu!

Foram muitos quiilômetros percorridos entre Jandaia do Sul, nossa cidade natal, e Curitiba. Muitas horas de espera nas sessões de quimio, nos exames de rotina e e nas consultas. Eu me dediquei totalmente a ela, mas não me orgulho de dizer isso, pois era o mínimo que eu devia e devo fazer. Tentamos três tipos de quimioterapia e as duas últimas surtiram um efeito quase que milagroso. Seu tumor praticamente sumiu, mas toda a ingestão de remédios custou sua perda de memória recente. Ela perde as chaves todos os dias, não se lembra o que comeu no almoço, repete várias vezes um determinado assunto. Mas o que é isso em comparação de não tê-la mais por perto?

 Espero poder realizar uma das vontades que ela me disse ter quando eu deitei ao seu lado na cama do  hospital, no pós-operatório. “Eu ainda quero te ver brilhar”, disse. Pode ser uma frase até comum de se ouvir da sua mãe, mas não no meu caso. Meu pai sempre foi mais passional que ela. Minha mãe ficava sempre na retaguarda, fazendo eu ver o mundo de frente e me virar com os meus problemas. Nunca foi aquela mãe coruja que defende a cria a qualquer custo. Não fui mimada e, hoje, agradeço muito ela por isso.

Eu não acredito mais nessas sentenças de morte. É esta a lição que tiro. Somos um nada e não sabemos absolutamente nada sobre a vida. Claro, a medicina é fundamental, mas ao mesmo tempo que ela acerta, ela também erra. E erra feio. O primeiro médico acreditou, por um momento, ser Deus e dar um prazo de vida a ela. Mas o que ela fez e vai continuar fazendo é provar que não temos direito de determinar coisa alguma nesta vida. A gente pode andar na rua amanhã e ser atingido por uma bola metálica que caiu do céu de alguma sonda espacial. Improvável? Não diria. Foi a sua hora. Vai chegar a hora da minha mãe. A da sua mãe. A minha. A de todos. Mas quem a gente é pra saber quando isso vai acontecer?

Aprendi a olhar as coisas que antes eram insignificantes e não dar mais valor ao que eu achava importante. Como o dinheiro que, aliás, é o “câncer do mundo”. Pode soar piegas, mas é verdade: a saúde é o bem mais precioso que a gente tem. O negócio é viver um dia após o outro e parar de reclamar à toa. Para o mundo, podemos ser um nada; para algumas poucas pessoas, somos tudo. A única coisa que vai ficar neste mundo quando você dele partir será o que você foi para elas. Valorize-as. Valorize os momentos. O resto não vai fazer a mínima importância.

Passei a não ter medo da morte quando percebi a nossa fragilidade.

Saiba como enviar sua história aqui.

Workshop sobre Luto

A angústia em relação à morte é aliviada ao entendê-la como o fim de um processo natural . Entendê-la é o modo mais fácil de aceitá-la.  A dor da perda é um processo natural pelo qual todos passamos, apesar desse processo ser difícil e doloroso, ele não tem que nos imobilizar. Podemos aprender a ser pacientes com nós mesmos e com outros durante períodos de imensa dor através de uma melhor compreensão do que estamos passando. O que você deve antecipar enquanto lida com imensa dor? Como você vai reagir?

Para nos ajudar a entender e responder essas e outras perguntas, no dia 29 de novembro  das 19:00 às 21:30 h, o psicólogo Guillermo Daniel Leone graduado pela Universidad Argentina John F. Kennedy (M.N.22009). Para mais informações acesse o site do Instituto Gestalt de São Paulo ou envie um e-mail para igsp@gestaltsp.com.br.

Data: 29 de novembro de 2012
Horário: das 19:00 às 21:30 h.
Investimento: R$ 20,00

Música da semana – If I Could Give All My Love

Em 2003, o grupo norte-americano Counting Crows lançou a música If I Could Give All My Love, feita em homenagem ao cantor e pianista do grupo canadense The Band, Richard Manuel. Adam Duritz, líder dos Counting Crows, afirmou em entrevista que a inspiração para a composição da canção deu-se quinze anos antes, quando vira uma nota de jornal noticiando a morte do músico, em 1986, através de suicídio por enforcamento.

Se eu pudesse te dar todo o meu amor

Peguei uma mensagem em minha cabeça
que os papéis foram embora
Richard Manuel está morto
E a luz do dia está vindo aqui pra dentro
Estive vagando através das trevas
agora estou esperando no campo
Se eu pudesse te dar todo o meu amor
Eu poderia justificar a mim mesmo
mas eu não estou vindo através
Você é uma pilula para aliviar a dor
de todas as coisas estupidas que eu faço
Eu soou uma ancora na linha
de um relogio que diz o tempo
que está correndo fora de você
Bem, estava frio quando eu caminhei
e o dia foi feito pela metade
é quase primavera em São Francisco
mas eu não consigo sentir o sol
você estava dormindo proxima de mim
mas eu sabia que você se foi
Se eu pudesse te dar todo o meu amor
Eu poderia justificar a mim mesmo
mas eu não estou vindo através
Você é uma pilula para aliviar a dor
de todas as coisas estupidas que eu faço
Eu soou uma ancora na linha
de um relogio que diz o tempo
que está correndo fora de você
Tome um tempo depois de você ir
pense na segunda-feira chegando
a as pessoas que você conhece
as que não estão à volta
eu desvaneci dia-a-dia
Eu fui de cidade em cidade
Se eu pudesse te dar todo o meu amor
Eu poderia justificar a mim mesmo
mas eu não estou vindo através
Você é uma pilula para aliviar a dor
de todas as coisas estupidas que eu faço
Eu soou uma ancora na linha
de um relogio que diz o tempo
que está correndo fora de você

Pensamento do dia

A incrível história de superação de um surfista cego

Além da Visão, é um documentário que conta a emocionante história de vida do surfista cedo do surfista cego Derek Rabelo. O brasileiro apareceu para o mundo ao surfar a temida onda de Pipeline, ganhando o reconhecimento de caras como Kelly Slater, Eddie Rothman, CJ Hobgood e Carlos Burle. Uma lição de vida!

Derek  tem 18 anos e ser cego nunca o impediu de fazer as coisas que pessoas que enxergam fazem. Ele nada, anda de skate, de bicicleta e ainda surfa. A última aventura foi surfar altas ondas de tow-in com o mestre Carlos Burle, no Rio de Janeiro.

Veja abaixo, um trailer do documentário.

O lado bom das coisas ruins

Quando alguma coisa dá errado, é fácil se desesperar e perder a esperança de que tudo vai ficar bem. Mas acredite: apesar do sofrimento que causam, as situações difíceis que você atravessa – uma doença, a morte de alguém querido ou a demissão do trabalho – servem para transformá-la em uma pessoa mais forte, capaz de enfrentar novas dificuldades e consciente da importância de ter uma rede de pessoas queridas por perto, como mostrou um estudo com voluntários publicado no periódico americano Journal of Personality and Social Psychology. Sabe aquele ditado: “O que não mata fortalece”? É a pura verdade. 

– Marcia Di Domenico

Pequena dose – do ilustrador Orlando Pedroso

Fuck Cancer: A geração Y e as redes sociais contra o câncer

A MonkeyBusiness está apoiando a ONG Fuck Cancer na sua entrada no Brasil. Uma organização americana que tem a missão de espalhar uma notícia: 90% dos casos de câncer são curáveis no estágio 1 da doença. Não se trata de curar o câncer, mas aproveitar o momento tecnológico e cultural que vivemos e pegar uma carona com a geração Y para que essa mensagem seja espalhada pelas redes sociais.

Diferente de outras focadas  em encontrar a cura da doença, a Fuck Cancer é um projeto de pessoas comuns para pessoas comuns. Um projeto em que qualquer um pode ajudar bastante. Independente de formação, inteligência ou dinheiro. Depende de vontade de participar.

A ONG foi criada por Yael Cohen, uma americana que acompanhou a luta da mãe contra a doença e que queria ajudar. Yael foi buscar informações em livros, associações e principalmente na internet. Foi quando percebeu a força que o diálogo e a troca de informações online tem nessa hora. O que é o mais legal de tudo isso? A certeza de que todos podem ajudar como puderem.

Veja abaixo, a apresentação criada pela MonkeyBusiness para divulgar a Fuck Cancer.